sexta-feira, 30 de abril de 2010

Perseverança. "Tende bom ânimo" ( final)

“Retirando-se mais uma vez, orou, dizendo: 'Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade'.” (Mt 26.42).

No texto anterior, nós compartilhamos sobre a luta que travamos contra o desânimo devido as aflições da vida. Fomos desafiados por Deus Pai a olharmos para Jesus e considerarmos o seu sacrifício na cruz para não desanimar. Jesus encarou o sofrimento com um ânimo que só poderia vir do Pai e que creio ter sido sustentado entre outras coisas, pela fé. Qual é a sua visão de fé? O que você entende por fé? Vale a pena responder a essa pergunta no seu coração antes de prosseguir. Para ajudá-lo a refletir, posso dizer que a nossa visão da fé, reflete a nossa visão de Deus.


Existem pessoas que enxergam a vida como um restaurante onde Deus é o dono, Jesus é o tempero e o Espírito Santo é o garçom que nos serve os melhores pratos. Afinal, “sou cristão e mereço o melhor de Deus pra mim”. Outras enxergam a vida como uma viagem. Sendo Deus Pai, o destino; Jesus, o caminho; e o Espírito Santo a companhia. Eu creio que Jesus prefere que escolhamos a segunda opção, amados.


Com relação à fé, permanece o mesmo princípio. Se eu vejo Deus de forma incompleta, vejo a fé de forma incompleta. Se vejo Deus como meu provedor somente, então vejo a fé como “o crer nas coisas que preciso que Deus faça para ou por mim”. Mas quando eu vejo um Deus pleno, então para mim a fé é “o crer nele e em tudo que vem dele”. Por exemplo, a sua vontade.


Jesus estava alicerçado na fé, na convicção de que estava fazendo a vontade de Deus. Ele tinha fé na perfeição do Deus que era seu Pai. E por isso ele tinha certeza de que tudo que acontecia com ele era da vontade de Deus e que essa vontade era perfeita, boa e agradável, ainda que dolorosa. O primeiro alicerce que sustentou Jesus e não permitiu que ele desanimasse, foi a fé.

“Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.” (Hb 10.38).“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.” (Hb 11.1).

Jesus não tinha dúvidas de que era necessário ir à Cruz para salvar a humanidade e que precisava ser ele porque somente o seu sangue poderia remir os nossos pecados. Essa certeza da vontade de Deus, seja por ação ou permissão, precisa encher o nosso coração. Se amamos a Deus, todas as coisas certamente cooperam para o nosso bem (Rm 8.28).

É difícil não desanimar quando nos sentimos sozinhos. Aprendemos a caminhar dependendo de apoio humano. Lutamos enquanto tem alguém no nosso time ou na arquibancada torcendo. Mas quando a arquibancada está vazia e no campo só há você, a bola e o gol, falta-lhe forças para chutar. E toda essa sensação de frustração e vazio se deve à nossa tão limitada fé! Não caminhamos focados em Deus.


Jesus tinha tanta fé no seu Pai, que mesmo quando seus companheiros de time (os discípulos) e a sua torcida (as pessoas que ele abençoava) o deixaram, seu coração continuou firme. Ao pedir que Deus perdoasse o povo que o crucificava e ao declarar que Pilatos não tinha autoridade alguma sobre ele se Deus não a tivesse lhe dado, Jesus mostra que se o seu corpo estava ali, padecendo, seu coração estava protegido como num campo de força, ligado a algo muito maior.
Nada afetou o seu caráter, a sua santidade e a sua fé, pois ele sabia que Deus estava no controle da situação. Oh! Aleluias! Como precisamos aprender com Jesus!


O Mestre tinha uma fé plena num Deus pleno e por isso teve um testemunho de vida pleno. Quantas vezes usamos nossas lutas como desculpas para os nossos pecados... Mas Jesus se manteve totalmente incontaminável, protegido pela fé.


É fácil dar testemunho de fé no altar, pregando a Palavra, louvando, orando. O ambiente de um culto é perfeito para expressarmos nosso amor a Deus e nossa fidelidade a ele. O lugar é consagrado e a companhia é de companheiros da mesma fé. Como desanimar ali, quando olhares de admiração nos seduzem ao sermos usados pelo Deus que nos chamou, diante dos homens? Jesus poderia ter restringido sua postura de fé aos lugares e situações onde era o centro das atenções e todos criam nele e esperavam coisas boas dele.


Mas foi quando enfrentou a perseguição da sua gente, a morte pelas mãos dos seus irmãos do povo de Israel, seu sangue, se esvaziando voluntariamente do seu próprio poder e se fazendo vergonha por mim e por você, sabendo que a Deus agradava moê-lo (Is 53.10) que ele deu sua maior prova de fé: “Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou.” (Lc 23.46).


Como uma criança, ele se entrega aos cuidados do seu Pai num momento de dor aguda e de profunda solidão. E aí, vai encarar?


Para terminar, fica uma palavra de Paulo, um discípulo sofredor, autor do mais detalhado ensinamento sobre fé contidos na Bíblia: “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.” (1Co 10.13).


Tenha ânimo! Tenha fé! Sustente seu ânimo com a sua fé! Ela o sustentará.

Nenhum comentário:

Postar um comentário